Animais são mais propensos a ter câncer de mama do que humanos

O mês de outubro é dedicado à conscientização e prevenção do câncer de mama, doença que em 2012 matou cerca de 92 mil mulheres, segundo o último levantamento do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Porém, o que poucos sabem, é que os animais de estimação possuem ainda mais chances de desenvolver a doença.

De acordo com o Portal do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), a incidência de câncer em cadelas é de 45%. Já em gatas, o diagnóstico pode chegar a 30%.

Tumores mamários em animais têm relação direta com os hormônios femininos estrógeno e prolactina. Mas, a genética também pode influenciar o aparecimento de nódulos, explica a residente do setor de Reprodução e Obstetrícia Animal do Hospital Veterinário da Unesp Jaboticabal, Amanda Tartarelli.

Segundo Amanda, o tumor é mais comum de ser observado quando os animas atingem sua idade média, ou seja, por volta dos sete ou oito anos de idade.

Sintomas

Em geral, os animais ficam tristes, indispostos e com falta de apetite. Mas o primeiro sintoma físico é a presença de um ou mais nódulos na região das mamas. Em alguns casos, pode-se notar uma secreção com sangue saindo dos mamilos do animal. Em casos mais avançados, o animal pode apresentar grandes formações ulceradas aderidas à musculatura da região mamária.

O ideal é sempre palpar as mamas do bichinho e ficar atento aos pequenos nódulos que podem surgir na região. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maior a chance de tratamento e melhor o prognóstico.

Tratamento

Na maioria das vezes, a cirurgia é necessária. É contraindicado aguardar o crescimento do tumor para sua retirada, uma vez que o mesmo pode aderir à estrutura do corpo do animal e comprometer outros órgãos. Isso também aumenta o risco de não ser possível a remoção do tumor com margem cirúrgica por falta de pele, o que pode causar metástases. É o que explica a cirurgiã do Hospital Veterinário Paes de Barros, Thais Eliane Binotto. “O tratamento definitivo é o cirúrgico, que pode ser 100% curativo, quando se consegue a retirada do tumor com margem cirúrgica adequada”, diz.

Segundo a cirurgiã, até mesmo tumores benignos podem crescer e diminuir a qualidade de vida do animal, se não forem retirados.

A cirurgia consiste na retirada total da cadeia mamária. Em muitos casos, é indicada a remoção cirúrgica com margem de segurança, ou seja, a retirada de mais de uma mama. Somente após a cirurgia será possível definir se o tumor é maligno ou benigno e se foi retirado totalmente.

Prevenção

Infelizmente, não existe uma receita para evitar a doença. Porém, algumas medidas indicadas pelos profissionais podem ajudar na prevenção:

  • Realizar a castração das fêmeas antes do primeiro cio reduz a praticamente 0,5% a chance de se desenvolver câncer de mama;
  • Evitar o uso de anticoncepcionais, pois esse tipo de medicamento contém alta dose de hormônios, que podem influenciar o desenvolvimento de células cancerígenas;
  • Palpar a região das mamas do bichinho com frequência e estar atento a qualquer alteração.